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O rei e a camisa
BENNETT, W. J.

Certa
vez, um rei adoeceu gravemente. À
medida que o tempo passava, seu estado
piorava. Os médicos e os sábios
tentaram de tudo, mas nada parecia
funcionar. Estavam a ponto de perder a
esperança, quando a velha criada
gritou:
- Eu lhes mostrarei como salvar o rei.
Se vocês puderem encontrar um homem
feliz, tirar-lhe a camisa e vesti-la
no rei, ele se recuperará.
Então, o rei enviou seus mensageiros.
Eles cavalgaram todos os cantos do
reino e não encontraram um homem
feliz. Ninguém estava satisfeito,
todos tinham uma queixa.
- Aquele alfaiate estúpido! - ouviram
um homem rico dizer. - Fez as calças
muito curtas! E a propósito, a comida
está péssima! Este cozinheiro não
consegue fazer nada direito?
- O que há de errado com os nossos
filhos? - resmungou o moleiro para a
esposa. - Eles nunca fazem o que
mandamos! Não ensinam boas maneiras
na escola? E fazem tanto barulho!
Mande-os brincar lá fora!
- Meu teto está vazando - reclamou o
artesão. - Isto não pode acontecer!
O governo não pode fazer alguma
coisa?
Os mensageiros do rei não ouviram
nada além de queixas e lamentações,
aonde quer que fossem. Se um homem era
rico, não tinha o bastante; se não
era rico, era culpa de alguém. Se era
saudável, havia uma sogra
indesejável em sua vida. Se tinha uma
boa sogra, a gripe o estava
acometendo. Todos tinham algo do que
reclamar.
Finalmente, uma noite, o próprio
filho do rei, ao passar por uma
cabana, ouviu alguém dizer:
- Obrigado, Senhor! Concluí meu
trabalho diário e ajudei meu
semelhante. Comi meu alimento e agora
posso deitar-me e dormir em paz. O que
mais poderia eu desejar?
O príncipe exultou por ter, afinal,
encontrado um homem feliz. Mandou que
levassem a camisa do homem ao rei e
pagassem o quanto pedisse.
Mas, quando os mensageiros do rei
foram à cabana despir a camisa do
homem feliz, descobriram que ele era
pobre demais e sequer possuía uma
camisa.

O
Livro das Virtudes |