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Pensei
fazer uma
obra-prima
em
verso
p’ra
você...
Algo,
assim,
que
o deixasse
entre
pasmo
e admirado
ao
conhecer
um
segredo
tão
arrebatadamente apaixonado,
e desejasse
correr
para os
meus
braços
e neles se
perder...
Queria o
dom
do
verso,
do
verbo,
da
palavra
fácil...
Queria
que
fluísse da
minha
pena
ternos
poemas,
que
jorrasse do
meu
pensamento
o
doce
sentimento
que
fica guardado,
por
medo
censurado, enclausurado...
Amo
você
com
um
carinho
tão
especial
e
imenso!
Amo-o
mesmo
na impossibilidade de
dizer
que
amo,
nas
banais
palavras
trocadas numa
relação
rotineira
que
supõe
trivialidade,
sem
convencer
que
é
verdade...
Amo-o
concretamente
como
vejo o
sol,
as
estrelas,
a
lua,
como
percebo o
verde
ostensivo
que
verdeja os
campos,
como
a cristalinidade da
água
que
umedece o
meu
corpo.
Amo
você
nos
rostos
anônimos
que
enxergo na
rua.
Ao
mesmo
tempo
amo
você
velada,
doce
e
levemente,
como
uma
pluma
que
bordeja
ao
sabor
da
brisa
amena
–
um
sonho
que
não
se faz na concretude da
vida
plena
mas
no
sutil
sonambulismo de
um
sonhador
incoerente.
Amo
você na
suave
harmonia
de uma
doce
melodia,
nos
tons
exóticos
da
natureza,
na subjetividade da
beleza.
Amo
você
sem
poder
me
expor,
amo-o
silenciosamente
na
quietude do
meu
eu,
com
suprema
e
terna
leveza.
Nas
horas
de
profunda
reflexão,
nas
atribulações
dos
dias,
nos
medos
do
mundo,
na
insensatez,
nas
doces
alegrias,
na
paz
de
um
céu
azul
com
nuvens
a se
mover
dormentes,
amo-o
com
uma
afeição
mansa
e
profunda,
desesperadamente...
Amo
você na
idealização do
amor
mais-que-perfeito.
(Talvez
nem
mesmo
deseje
que
saiba
o
quanto
amo
você!...)
Talvez
queira
ainda
manter esta
aura
pura
de
irrealidade
mas,
paradoxalmente,
correr aos
seus
braços
e neles
me
perder...
BH, 06/04/2005
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