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Lamento
Maria Tereza ©
Questiono se há
vida
fora
de
mim?!?!?!?!...
De
algum
tempo
até
aqui,
estou
envolta
em
uma
carapaça
dura,
tétrica,
marmórea... internada num
silêncio
inexpugnável
e num
isolamento
compulsório.
Eu
e
minhas
lembranças,
eu
e
minhas
saudades.
Eu
e os
anos
que
não
voltam
mais.
Eu
e a
minha
abandonada
irreverência
com
o
mundo
e a
abusada
coragem
de
alguém
sem
temor.
Eu
e as
minhas
emoções...
que
cessaram
quando
cessou o
meu
amor,
que
murcharam
quando
perdi a
vontade
de
ver
o
mundo
com
olhos
de boa-vontade e
afeto.
Eu
e
um
mundo
particular,
onde
tudo
está articulado ao
meu
jeito,
de
forma
que
ninguém
mais
penetre e dissipe as
lembranças
e as
saudades.
Eu
e o
meu
altar,
refeito
de
deuses
pagãos
e
ritos
sem
ritual,
onde
a
oração
é
um
lamento
de
saudade
e as
velas
são
lágrimas
do
meu
coração
que
chora...
Eu
e a
água,
o
ar,
a
terra,
o
éter
e o
nada...
Eu
e o
meu
sentimento
empedrado,
rígido
e
sólido,
bloco
monolítico
como
a
pedra
de Sésamo,
impenetrável.
Eu
e a
minha
fada,
que
voou o
primeiro
e
derradeiro
vôo
de
liberdade,
com
braços
alados
e
pernas
nadadeiras,
que
não
mais
precisam de
chão
para
caminhar.
Tento
seguir
os
seus
passos
etéreos,
mas
minha
rudeza
não
me
permite abalar-me do
chão.
Eu
e a
minha
criança,
que
já
foi
menina,
mulher,
anjo,
fada
e voltou ao
interior
do
meu
eu,
para
de
novo
nascer
de
mim
e de
novo
me
fazer-ser.
Eu
e o
meu
medo
da
vida,
meu
pavor
do
futuro.
Eu
e as
minhas
inúmeras
negações,
não-ser, não-querer, não-poder,
não-viver.
Eu
e
ela,
ela
e
eu,
numa
contínua
troca
de
amor
e
gratidão,
num
mundo
em
que
só
cabemos
nós
duas, a
nossa
vida
e a
nossa
emoção.
Eu
e a
minha
eterna
e
infindável
saudade,
que
dói a
dor
mais
doída
que
alguém
possa
sentir.
Eu
só...
© direitos autorais reservados
(Com saudades da Viviana, estrela
que iluminou a minha vida, por
quem tudo foi possível, por quem o
tempo parou. A vida só continua
pela centelha de luz que ela
deixou em meu coração. Eternas
saudades.) |