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Essa
que eu hei de amar perdidamente
um dia
será tão loura, e clara, e
vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que
vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma
escura e fria.

E
quando ela passar, tudo o que eu
não sentia
da vida há de acordar no
coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei
atrás dela
como sombra feliz… — Tudo
isso eu me dizia,

quando
alguém me chamou. Olhei: um
vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na
luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como
um sol triste…

E
falou-me de longe: "Eu
passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu
sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem
sequer me viste!" |