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Crônica
de um amor que passou...

...E,
então, tenho pensado em nós
dois, em mim, em como os nossos
dias podem variar da mais louca
alegria à mais profunda
tristeza... em como a vida pode
ser generosa e mesquinha... e em
como reagimos e reagirmos às
adversidades. Em como
conseguirmos ser fortes em
momentos de solidão... em como
resgatarmos a coragem de
viver.... em como superarmos a
perda de um amor que acabou...
A vida, às vezes, mais parece
um poço fundo, onde caímos de
cabeça e mergulhamos no caos -
um turbilhão de imagens, sons,
pensamentos, nuvens densas e
revoluções interiores. As
lembranças criam corpo e nos
remetem de volta, numa tristeza
infinita, numa saudade profunda,
mórbida, atroz, ferina... e nos
entregam à vida, agora,
pontuada de incertezas.
Emergimos, na intenção de
resgatar o que sobrou do sonho
e, se nada mais restou,
consertar o que sobrou de nós
mesmos, costurar os retalhos,
colar os cacos.
Tantas coisas vividas, sentidas,
tantos desejos, tanta
esperança!!!.... Tudo jogado ao
vento, como se não tivesse
acontecido... tudo acabado, sem
presente, sem futuro, só com o
passado a perpetuar impressões
e a desdobrar mais saudades...
Percebe-se, num momento, que
não há resgate possível,
porque o que se vive fica
impresso na alma, nos sonhos,
nas lembranças. Depois, com o
passar inexorável e
irreprimível das horas e dos
dias e das semanas, ainda que
com a cabeça enterrada na
solidão, percebe-se que o sol
continua brilhando, o mundo
continua o seu movimento, as
pessoas vivem, as plantas
crescem, as flores desabrocham
e, indiferente à sua inércia e
à sua dor, tudo continua na
mesma rotina de sempre.
Daí, finda a pretensão de ser
o centro do universo, nada mais
resta que olhar o sol nascer,
ainda que esse brilho ofusque a
visão, apagar da alma a escrita
da última aula e tentar passar
a vida a limpo, como se o
caderno da sua vida começasse a
ser escrito de novo....

Maria
Tereza
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